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Posts de Abril, 2008

Ela nem se lembra como aprendeu a estender as roupas no varal. Provavelmente foi observando sua avó Emília que saía para o quintal pelas manhãs com um chapéu plástico vermelho que imitava a textura de padrões artesanais de palha, circuladonas abas por prendedores de madeira . A avó fazia tudo um pouco mecanicamente. Uma vez [...]

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Romã

É a fruta de um amor assimétrico.
Granada, em espanhol.
Era madrugada.
Estávamos sentados na areia de uma praia de Barcelona.
Ele descreveu a geometria da fruta.
Eu não conseguia visualizar.
Levantou-se.
Disse que não gostava de lugares muito abertos.
Fomos ao supermercado 24 horas.
Ele comprou três granadas.
Fomos para o apartamento dele.
Brutal navalha na casca dourada e vermelha.
Gelatina cor de groselha envolvendo sementes [...]

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Tome sete

Pediu ao curandeiro um tratamento para seu mal.
O homem entrou em seu laboratório.
Voltou com um vidro âmbar cheio de comprimidos.
A pintora perguntou a composição do remédio.
-a frequência das luzes do arco-íris, ele respondeu.
Desde então,
a mulher só pinta comprimidos.

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Chuva presente
Pequena chuva
Pinicando a pele
São formigas atrás de doce
Escorrem pelo azul
Ponta do dedo dentro do olho
É só sal
A menina abre a boca para o céu
Formigas na língua
Água doce pela garganta
Encontra o vento
Água que me abraça
Um menino bem azul
Na rua fico prateada
Inventamos o tal do blues

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O cerco

Seus dias calados buscam uma forma redonda,
furada,
de metal pesado.
Contornos de um silêncio mudo por não poder nas palavras.
Ele está prestes a moldar o amuleto maldito.
Esconderá a peça da tribo.
Nova roda dentro do escuro desliza até as pupilas.
Ele não verá mais nenhuma imagem que não seja sua criação.

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tragadas

Estendida de bruços sobre o piso, ela solta devagar a fumaça espessa e perfumada do cigarro. A graça é nublar a atmosfera que separa seus olhos das tábuas envelhecidas e riscadas do chão. Nesse espaço ínfimo, o sopro da boca cria formas. É ela quem controla a densidade das nuvens destacadas do céu de [...]

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