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Arquivo da categoria ‘escrever’

voltar à casa

De que dores nós sabemos
quando elas começam?
Os corredores da casa são bons para alongamentos
na praia gosto que os raios de sol alonguem a pele
quais são meus corpos
lá as vistas no horizontes são de mar e ilhas redondas
apenas pedras revestidas de algum pasto
a tarsila descansa na janela entre cores e redes de proteção
os pés sujam as [...]

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relatorial

entendo no meio de quais frases a poesia se faz
esgueirada aqui como uma imagem graciosa
deixo-a abrir seus desertos
horizontes de azul ____ areia
epopéia miúda
entre minha urgência de organizá-la
severamente na corrida
entre planos virtuais
de uma história que me acontece
sem que eu tenha chance de sabê-la

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capiau

Seguir o caminho do pensamento
do jeito como ele se desenha
um rio adentra a mata fechada
o canoeiro usa chapéu
cumprimenta o homem
terceira margem do rio

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cobra- canoa paulista

Hoje um chinês me gritou:
- és cão, és rato
Lati sorrateira e fui obediente guardar as porteiras do subterrâneo
cobra canoa quis sair
vinda de cima do mapa
até o Tietê
deixei.
ela, grande e colorida
penduricalhos por toda extensão
porta- retrato de algum bisavô
Sorriu-me a dita cuja
dentes de edifícios
espelhados
boca baforenta
guardando aromas
começo do mundo
corre a cobra canoa
pele descamada em asfaltos
tripas metrô
Não ouse voltar [...]

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livro um

iluminar com raios
espirais opacas
camadas de sonho
de barro, pedra, areia salgada
anunciam-se roda de saia
gira
em rendas tricots
garrafas sopram suas memórias
escritas ao contrário
do tempo em que aconteceram
contam que tudo começou
quando Dédalo abriu as mãos
e soltou as peças do relógio
segue em marchas
pulsares
encaixes

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transmundo

transmundo ecoava nos ouvidos com bafo de vodka
sono insistente pegou o rapaz pela gola
a amiga da moça
sentada na cadeira
limitava-se a mascar chiclete
olhando pensamentos
quaisquer
enquanto seu corpo ia escorregando
ela estava ali há horas
esperando o início da noite passar
no peso do escuro
ela piscava alegrias
as festas
havia sempre um breve acontecimento
conversas sobre elefantes que se comunicam através de infra som
ou
intrigas [...]

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adereço

meio conto
das contas de vidro
pulseira
soprada
pelo homem gasto
conta-nos outra
menos evidente estrela
demorada a chegar
no céu
pulso largo
da mão
coberta na boca

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foreign

misunderstanding
in some language
I only know half way

my voice
whispering
an unknown accent

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Sintra

irei sozinha
por cada um desses labirintos
pensados em inglês
com acento raro
embrumada
copas de árvore
protegida de Hiroshimas
de lustres e de qualquer língua  falada
serei uma samambaia
suspensa em alpendre
mirando um espelho
outonal

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girarás

tempo vertical do conta- gotas
os lugares curvam
à sua queda
esférica

jogo as cordas
dos pêndulos

encaixes urgentes
no relógio enguiçado

o homem de monóculo
exigiu o pagamento
em moedas dissimuladas de curta leveza

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