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preciso

a muié com seu terço

versinhos de ai meu deus

o corpo

transmundo

transmundo ecoava nos ouvidos com bafo de vodka

sono insistente pegou o rapaz pela gola
a amiga da moça
sentada na cadeira
limitava-se a mascar chiclete
olhando pensamentos
quaisquer
enquanto seu corpo ia escorregando
ela estava ali há horas
esperando o início da noite passar
no peso do escuro
ela piscava alegrias
as festas
havia sempre um breve acontecimento
conversas sobre elefantes que se comunicam através de infra som
ou
intrigas iniciadas no início dos anos 50
quando a televisão chegou no brasil
a mesma mulher, amiga da moça
ela tinha olhos redondos e mansos
tempos ruminares
supérflua
pouco
inchando
ácido
depois da festa
os 3 sentaram-se
numa mesa de bar redonda
pequena e baixa
seguiam bebendo
líquidos sempre fortes
transparentes
viam se ali
óbvios
lentos
e concentrados
a moça entretia-se em arrumar a mesa
juntar os guardanapos usados
entregar para o garçom
espanar migalhas e cinzas
ainda o assunto era o transmundo
uma música conhecida em um longo arame
estendido
que não havia de se conformar
com as frequencias além da fundamental
a noite acelerava-se nos cabelos da mulher
cacheados_fumaça
desvãos de sentido
a conversa colapsava
placas tectônicas
saudade da casa
de olhar pela janela
até pouco ver
além das vistas desfocadas
nos alargamentos très mudos
.

adereço

meio conto
das contas de vidro
pulseira
soprada
pelo homem gasto
conta-nos outra
menos evidente estrela
demorada a chegar
no céu
pulso largo
da mão
coberta na boca

foreign

misunderstanding

in some language

I only know half way

my voice

whispering

an unknown accent

Sintra

lembranças de sintra

irei sozinha

por cada um desses labirintos

pensados em inglês

com acento raro

embrumada

copas de árvore

protegida de Hiroshimas

de lustres e de qualquer língua  falada

serei uma samambaia

suspensa em alpendre

mirando um espelho

outonal

glimpse

Quando o mundo saiu da rocha,

a imagem estampou-se.

(desejo do que ainda não havia)

mais dele mesmo

em parênteses, colcheias

=

conjugado

É

os monges bateram palma

a criança sorriu atrás da porta

não importa.

raio que os parto

Ela saiu de uma caixa pisando no meio da orquestra

perguntou logo e à passos largos:

onde onde onde eu aconteço

`(o grito acontece)´

óia, nossos fundo do mar são moiado

girarás

roda

tempo vertical do conta- gotas

os lugares curvam

à sua queda

esférica

jogo as cordas

dos pêndulos

encaixes urgentes

no relógio enguiçado

o homem de monóculo

exigiu o pagamento

em moedas dissimuladas de curta leveza

dos materiais

complexo- a matéria bruta

precisão

 

 

existe uma escrita sem uma embriaguez qualquer?

digito

vícios em pontos de vista

encurralar

meu acho

no pode ser

caboclo mesmo

 

cabe ao verso

apresentar aos homens vindos das linhas acima

a farta risada das idéias

os jargãos são confortáveis

e os clichês: cool

passe a caneta

eu: embriagada

 

toca uma valsa

o sinistro clown

 

nem bebo malbebo

saiu assim

valsa

e o dito palhaço blasé

 

enumerarei

(a caneta apontará um a um)

os objetivos de meu projeto

o formato é:

um passinho para cada lado

pormenores imaginários

para tomar fôlego das simplificações

espaço

 

 

o salão vazio

de um conto de fadas

 

ideal

 

agora eu já pinguei os florais

“rascunho do pode ser”

diz a fada humilde e pós- moderna

sentida porque não há maçã envenenada

nem bruxa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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