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preparamos o corpo para gritar

desencouraçamos

esfarelamos

nos tornamos flexíveis e fortes

para deixar a vida passar

deixar os ancestrais e forças seguirem

seus milenares embates

em nossos corpos

numa língua confusa

até conseguirmos dançar junto

compor com uma nova onda

outro orixá

 

energia eólica

eu sopro

dentro da garrafa

uma palavra

que se lê

com calma

saturação do português

sua mansidão acumulando-se pelas dobras do corpo

excedendo-se em um peso que é aquele do costume.

Engolindo-me em seus sentidos corriqueiros

enfastiando-me já no pensamento

a poeira é a obra

de um pássaro

lembro-me que era devagar

cuidadoso por onde pousava

organizando-se para estar

o maior tempo possível

em vôo

o cheiro das pedras quente do sol

secura porosa

carmins

cinzas

brancos

difusos cortes

recortes

furos

mar

unhas na pedra

som

surdo                                                         de longe

ancestral, o osso escuta

um estado pedra

num canto do mundo

(praia de Camboinhas, Niterói- 2007)

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