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Archive for agosto \23\UTC 2009

A moça

quarto_de_moca

Capítulo I

– Chama a moça para que eu lhe conte todas as lendas que lembrei do tempo que caminhei entre as duas estradas recém-asfaltadas pelo prefeito de lá enquanto chovia horrores sobre as passeatas de mulheres com lenço na cabeça porque seus cabelos só eram soltos à noite quando dançavam debaixo das estrelas a orar em festa para que seus filhos, amantes e gatos pudessem se reunir uma vez por semana para tocar instrumentos o quão alto fosse e regras escritas pela mão de homem que acredita em um só destino fossem desfeitas

Capítulo II –

– Oh moça bonita! Reconheço essa luva xadrez. Era mais uma das peças sacis guardadas na gaveta da sapateira do Osmar. Um brinco do par, uma agulha de tricot. Como se um dia, um homem vestindo um paletó mais largo que sua magreza, fosse bater na porta para entregar a outra peça. Bom saber que você caminha com números ímpares.

Capítulo III-

– não posso demorar

Capítulo IV-

Sem maiores explicações, o homem magro e frio, com a parte superior do corpo desproporcionalmente maior que a inferior, levantou-se, entrou corredor adentro. Quando voltou, abriu as mãos e entregou a foto de partes do relógio. Tudo começa assim na estampa da imagem. São como duas borboletas que voam daqui- ali e a vida passou- densa, impressa, piscada.

Capítulo V-

– obrigada

Capitulo VI-

começo a lembrar-me

dos fios da meada

sou eu lá dançando

em noite futura

iluminar com raios

espirais opacas

camadas de sonho

de barro, pedra, asfalto

anunciam-se roda de saia

gira

em rendas tricots

garrafas sopram suas memórias

escritas ao contrário

do tempo em que aconteceram

contam que tudo inicia-se

quando Dédalo abriu as mãos

e soltou as peças do relógio

Capítulo VII

Saiu para a rua, sentiu a mão direita esfriar. Abriu a bolsa apinhada de coisas e pegou o par da luva. Apressou o passo. Antes de chegar, parou na frente do espelho para ajustar o visual:

Cabelo preso e coberto por um lenço.

Rímel a engrossar os cílios.

Lápis borrado no contorno de olhos em ressaca urbana.

Na porta do café, encontrou as colegas, todas parecidas no uniforme para as próximas horas de trabalho.

Naquele dia ouviu três histórias dos rápidos e inconstantes clientes.Uma do ex- padeiro que abandonou a profissão quando, depois de vinte anos de trabalho, queimou toda a fornada de pães (- Olha, eu fico arrepiado só de lembrar. Qual terá sido minha ofensa?). Outra da mulher que estava reformando a casa depois que a parede rachou, devido às obras do metrô (É muito pó, viu? Haja paciência, socorro aquele monte de homem pra lá e pra cá, barulho, poeira.). E por fim, a do rapazinho que ficou horas contando os como, onde e porque de suas tatuagens (Esta daqui, olha, foi no Leo Studio- muito lôco- levei a foto do jornal e falei- põe a cara dele no meu braço).

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livro um

iluminar com raios

espirais opacas

camadas de sonho

de barro, pedra, areia salgada

anunciam-se roda de saia

gira

em rendas tricots

garrafas sopram suas memórias

escritas ao contrário

do tempo em que aconteceram

contam que tudo começou

quando Dédalo abriu as mãos

e soltou as peças do relógio

segue em marchas

pulsares

encaixes

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tarjetas de si

digramas

das matérias de realidade

não importa se sonhos, diálogos, leituras, relações

é permitido ser

tanto quanto perceber

inventar os asanas

conhecer a própria posição para saber- se a força que tem

criar dimensões de estar em liberdade

revoluções

poesias em nossos tempos

ajustes de configurações

políticasvontadespossibilidadesartesnósrede

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preciso

a muié com seu terço

versinhos de ai meu deus

o corpo

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transmundo

transmundo ecoava nos ouvidos com bafo de vodka

sono insistente pegou o rapaz pela gola
a amiga da moça
sentada na cadeira
limitava-se a mascar chiclete
olhando pensamentos
quaisquer
enquanto seu corpo ia escorregando
ela estava ali há horas
esperando o início da noite passar
já no peso do escuro
ela piscava alegrias
as festas
havia sempre um breve acontecimento
conversas sobre elefantes que se comunicam através de infra som
ou
intrigas iniciadas no início dos anos 50
quando a televisão chegou no brasil
a mesma mulher, amiga da moça
ela tinha olhos redondos e mansos
tempos ruminares
supérflua
pouco
inchando
ácido
depois da festa
os 3 sentaram-se
numa mesa de bar redonda
pequena e baixa
seguiam bebendo
líquidos sempre fortes
transparentes
viam se ali
óbvios
lentos
e concentrados
a moça entretia-se em arrumar a mesa
juntar os guardanapos usados
entregar para o garçom
espanar migalhas e cinzas
ainda o assunto era o transmundo
uma música conhecida em um longo arame
estendido
que não havia de se conformar
com as frequencias além da fundamental
a noite acelerava-se nos cabelos da mulher
cacheados_fumaça
desvãos de sentido
a conversa colapsava
placas tectônicas
saudade da casa
de olhar pela janela
até pouco ver
além das vistas desfocadas
nos alargamentos très mudos
.

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adereço

meio conto
das contas de vidro
pulseira
soprada
pelo homem gasto
conta-nos outra
menos evidente estrela
demorada a chegar
no céu
pulso largo
da mão
coberta na boca

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foreign

misunderstanding

in some language

I only know half way

my voice

whispering

an unknown accent

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