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Archive for the ‘caraminholações’ Category

cartografias

mapas como a imaginação do que conhecemos antes de saber o que existe

descrever assim o pensamento pelos caminhos que percorre em vibração mais tranquila que a agulha da bússola

provavelmente mais parecido com um barco de papel lançado ao mar apenas para a curiosidade da gaivota que em seu olhar de voo flagra sobre a mata a trilha percorrida por pés de barro-  eles correm ouvindo o vento entre as folhas

há nessa orquestra da floresta notas vermelhas- fragmentos de uma conversa de beira de estrada no ano de 3029, guardada em vidrinhos de eco que medem o quanto da água do mar virava barulho de chuva, pois naquele tempo conhecer a poesia era o mais importante e devia ter a forma de garrafas, mas transparentes para enxergar através e abertas para qualquer navegante ler a mensagem inaugurada quando esta caneta resolveu desenhar a invenção de brincar, enquanto se vai rumo ao desconhecido, separado de nós apenas para ser possível termos pele escama pêlos casacos e os sapatos de um corredor que agora vai nu para as festas na praia para Iemanjá que acabara de  receber os pergaminhos com as fotos do outro lado do mundo que pareciam, embora apagadas, vestígios ou acontecimentos menos etéreos que a memória onde descansam as tentativas de mapear o que é para ser livre e piscar para os astros porque pode ser que suas órbitas formem um traçado parecido com as asas da libélula que faz fronteira com o vento de lá

quero dizer

de cá

quase no limite

mas aqui todo lugar

onde se pode dar as mãos e embaralhar a rosa dos ventos que deixa brotar outra rosa; essa do sopro da Islândia onde o programa de rádio mais popular toca os cantos da baleia e o barulho das rodas de bicicleta que giraram certeiros sobre o asfaltos de muitas léguas e encontraram o caminho de um mapa que foi usado primeiro como tapete, depois como cortina e agora foi reproduzido em uma versão preto e branco, pois naquele fundo de céu a única informação complexa era o registro das linhas que ligavam os rios até a porta das casas e os pescadores a seguiam enrolando-as em um novelo a ser entregue no território manchado de tinta guache o que encobria todas as escalas tornando a empreitada guiada principalmente pelo ressoar dos tambores de lá que na última estação foram subtituídos por códigos binários impressos no cascos de tartarugas tão lentas que só alcançavam o continente de destino porque eram ajudadas pela moça que virava cada página bem rápido. os sonhos de como era o mapa eram muito divertidos e comportavam na esfera celeste naves espaciais com design típico dos anos 70 o que implicavam serem também laranja entretanto nas molduras da lucidez e dos olhos abertos, os cartógrafos tinham mais responsabildade para evitar desenhar o litoral, onde um casal sentava na frequencia da ocasião para beber chimarrão enquanto  o mar insistia em ser evidente demais para ser falado

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manchas

Espero a forma se exibir

Eu deixo a forma se exibir

Ela, lisonjeada, me ensina seus pormenores e onde gosta de se manter quieta

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lugares

sei me redonda

língua que passa fácil dentro da boca

pés que são perna, barriga, cabeça

os olhos são para estar no mundo- sou o espaço que eles aprendem

a pele é o horizonte espacial

às vezes semáforo, prédio

às vezes mar

às vezes céu e árvore

Há um lugar de proteção

o fundo do ninho que permite

a entrega ao presente

Esticar na pele,

no verbo, nas vértebras, todos sentimentos de sei e não sei neste labirinto acetinado

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ponto final

______________________________ depois que está tudo pronto,

começo a criar

e aí

nada

nunca

está pronto

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seleção

Porque tem horas que a única pessoa para quem eu posso escrever sou eu mesma Em mancha verde musgo na janela para lá fora chover Frio Uma casa de pedra onde agora brilha o sol Para secar no varal das roupas velhas Alvejadas por mim em um balde Com água em algum lugar já torcido pelo vôo no jornal do mosquito da dengue- o vetor é uma flecha que põe cada pensamento no mural com uma tachinha A luz do sol pode alaranjar, mais ciano por favor- puxa o magenta, define aqui- taca verniz Coloca no formato web, cuidado para não dar fungo Tricotar tricotar Selecionar umas frases no meio de tanto ouvir Para apenas saber Que é bom estar aqui

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xis

frase sem sintaxe esperada no começo- meio- fim já é esquina: a linha vira gramática do corpo desencontrado na escuta do mantra e a criar espaço para vento gelado, que leve os nós no caminho da língua e refresque o dicionário lá onde brota voz de meia- palavra

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