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Archive for the ‘caderno’ Category

urbanidades

Um texto com o barulho do helicóptero

consideramos as distrações

os ruídos

eles são também persistentes

repetem-se

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em azul

tinta represada

na curva da grafia

atenção àquilo que marca

borra

 

acúmulo de uma forma

que comporta esta tarde,

nesta esquina

Rua das Palmeiras

Barão de Tatuí

 

palavras espaçosas

respiradas

espalmam

acolhem-se

em espessuras entateadas

que duram

por mais um café

anoitecer

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Lembrei-me novamente daquela mesa em que todos estavam espumando e sem muita alternativa enxugavam com o guardanapo de pano a baba no canto da boca. Usá-lo era tão natural quanto a baba. Eu também usava o guardanapo e era horrível; completamente incompatível com o acúmulo de saliva. Como que essa mesa foi montada? Não queria atrapalhar ninguém, mas eu não estava conseguindo segurar o riso, a baba, o mijo, o sangue. Quando podia, levantava-me, saía, mas não havia nada envolta da mesa, o jogo é aqui, entre palavras, saliva, vida.

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Anda com a língua passando devagar pelos dentes, encostando neles, esfregando-se. Cada vez que sorri, mostra as pontas do esqueleto se esgueirando para fora. Sentir-se de pedra em processo de calcificação, descalcificação. Matéria antiga dentro do corpo.

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branco e preto

solo urbano

textura que nos cabe percorrer

na precisão de um vira-lata

pombo e dado

pelas frestas

um churume da feira

excesso de ácido

laranja

limão

mexerica

escorre

tempo

de compor-se

escapo-me

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Corpo ponto-cego compondo-se com a força da gravidade; vetor que, conforme se imagina e experimenta, amplifica a impressão de se estar em outro idioma, estalado e irmanado com os ossos, menos sutil e de qualidade abissalmente diferente do português.

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Aconteceu de tornar-se uma palhaça de trupe formada por um moço cumprido que toca sanfona, um fotógrafo de paredes, edifícios e quarteirões demolidos do bairro da Luz, uma mulher de Recife, feminista, o homem que morou dez anos na Inglaterra e interessa-se por filosofia da matemática e o estudioso de paisagem e poesia. Trupe de pessoas da cidade, pessoas de cantos, arestas, que com uma suficiência satisfatória de alegria saem com seu bloco pelas ruas, durante o Carnaval paulistano. Tudo beira, silenciosamente, a decadência. A cidade foi evacuada, o sol parece de inverno, a palhaça acredita na potência de agitamento causado pela sua indumentária de bolas coloridas de vermelho, amarelo, verde, um babado, um dourado. Promessa ínfima e reticular no cenário de restos. Se não houvesse graça nisso, a palhaça derradeira certamente não faria a travessia com o bloco carnavalesco.

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