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Archive for the ‘dança’ Category

o cheiro das pedras quente do sol

secura porosa

carmins

cinzas

brancos

difusos cortes

recortes

furos

mar

unhas na pedra

som

surdo                                                         de longe

ancestral, o osso escuta

um estado pedra

num canto do mundo

(praia de Camboinhas, Niterói- 2007)

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Anda com a língua passando devagar pelos dentes, encostando neles, esfregando-se. Cada vez que sorri, mostra as pontas do esqueleto se esgueirando para fora. Sentir-se de pedra em processo de calcificação, descalcificação. Matéria antiga dentro do corpo.

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Corpo ponto-cego compondo-se com a força da gravidade; vetor que, conforme se imagina e experimenta, amplifica a impressão de se estar em outro idioma, estalado e irmanado com os ossos, menos sutil e de qualidade abissalmente diferente do português.

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oráculo dança

ora corda

descondiciona

já é alecrim

um impulso

em arco

sensação

gravidade e suas imagens

pele

peso

pressionado

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Há quem faça malabares

segurando em cada mão

duas fitas de tecido

desenhando no ar

com o rastro do pano

conjuntos

intersecções

 

fazem gracejos

com todo o corpo

as vezes tediosos

mas em dias de brisa

sutis

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combinados

Entraram em cena

um cenário com andaimes

a praça de uma cidade do interior

ela perguntou:

– Diga-me

meu amor

qual será nosso drama?

      • – Bem, eu serei um sofredor manhoso

        mágico por profissão

        – Muito bem! Eu serei cuidadora em uma creche

        onde as crianças gostam de brincar de olhos vendados

        – e um belo dia eu chegarei

        – eu vendada dançarei com você, entre saber que é o mágico

        e de saber-me cega

        – passaremos a nos encontrar na biblioteca do metrô

        – para lermos poesia

        – sem nunca soltar a voz

        – apenas gesticular nossa performance

        – ninguém nos verá

        – exceto quando corrermos desenfreados para subir no último vagão

        – e mascarmos chiclete de boca muito aberta

        – escrachados

        – Para mim sempre haverá algo de muito intrigante

        – como assim?

        – Nisso

        – eu posso fazer a cena sumir…

        – eu direi que é apenas um intervalo.

        – daremos um jeito

        – de perguntar sobre qualquer detalhe

        – aquele casaco que esqueci na sua casa

        – a amiga que estava lá e conhecia alguém

        – o bom da música

        – os dramas passarão

        – e teremos prazer em fazer pose

        – brincar

        – você é mágico?

        – Sim

        – você vem sempre aqui?

        – Não

        – mas vim hoje, estava passando, sabe, ouvi um barulho

        – estão construindo uma capoeira

        – com curvas de lua

        – dobras de estrela

        – qualquer lugar

        – em que possamos acontecer

        – e ir embora de bicicleta

        – adeus

        – até mais

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contato

seja lá a idade que tenho

o tempo sempre arde na carne

fujo

volto

é meu lugar de prazer

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