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Archive for the ‘escrever’ Category

em azul

tinta represada

na curva da grafia

atenção àquilo que marca

borra

 

acúmulo de uma forma

que comporta esta tarde,

nesta esquina

Rua das Palmeiras

Barão de Tatuí

 

palavras espaçosas

respiradas

espalmam

acolhem-se

em espessuras entateadas

que duram

por mais um café

anoitecer

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cidade

Adensado de gente, uma morando em cima da outra, todas precisando, odiando, cansadas, modernas, antigas, com pressa, entediadas, vigaristas, religiosas, vindas de cima, de baixo, do lado do mapa, urgentes, móveis, soturnas, irritantes, interessantes. Cidade que insiste em tornar-se profícuo território, forma insondável. Palavra que já vem com demolições, vidas inteiras, preconceitos, tempos. Palavra pegajosa a intrometer-se nos sussurros dos casais, nas negociações dos empresários, na descoberta das crianças, nas discussões no bar. Território demandante de atenção, de escritas, de estudos, de intervenções, de governo, de protesto, de indiferença, de ficar nela, empanturrar-se dela, dissipar-se, já não conseguir distinguir o corpo das vias, dos cheiros, dos helicópteros e dos ratos. O pensamento inesgotável e inapreensível é cidade. Eu corro atrás dele, anotando o que posso, como posso, sem querer parar, sem poder apertar o stand by para esperar que a terra se assente, que a humanidade se decida. Uma, duas, três xícaras de café (…)

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O quê se escreve aqui é também o resto palavreável de invenções em planos embaralhados. Invenção-nó, em que a questão não é desatá-lo, mas experimentá-lo como tal. No meio do que se compõe, um pensamento quer acostumar-se, pede descanso e forma estável. Mas embaixo dele ou nele mesmo outra força empurra, obriga a escrita a alargar-se, traça círculos lúdicos e assimétricos, tropeça, delimita algum lugar e, logo, nenhum lugar, empurra onde antes não havia, vai de jeitos e sentidos variados, apaga, pisca, é.

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Caminhar com uma pedra no sapato sem parar para tirá-la. Assim, não se esquece do que quer escrever até ter papel e caneta. A história começa com a possibilidade de dar carona a uma pedra, acompanhá-la dali até aqui na cidade.

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fotos

tenho afeto por elas

quero demorar-me

namorar

as fotos estão

velhas

brilhosas

límpidas

em

contemplação

àquela

poeira

que caindo

gasta

reflete

para

todos os lados

seu vôo

lento

 

tempo vertical do conta- gotas

os lugares curvam

à sua queda

esférica

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lúdicos

círculos

assimétricos

algum lugar

nenhum lugar

empurra onde antes não havia

vai

de jeitos

em sentidos variados

apaga

pisca

é

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o Islã

Is lá

longe no mundo

no lugar em que as linhas

dão curva

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