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Archive for the ‘raízes’ Category

fotos

tenho afeto por elas

quero demorar-me

namorar

as fotos estão

velhas

brilhosas

límpidas

em

contemplação

àquela

poeira

que caindo

gasta

reflete

para

todos os lados

seu vôo

lento

 

tempo vertical do conta- gotas

os lugares curvam

à sua queda

esférica

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carretéis cromáticos

cada cor um componente de luz branca
resposta dos olhos ao mundo
para fazê-lo distinto
múltiplo
cheio de entres e meio- tons

linha
forma
palavra
filiações
prendo meus conjuntos com fios coloridos

linha branca
linha azul
linha verde
linha lilás
linha amarela

primeiro vieram as coisas, os acontecimentos
depois a humanidade e a poesia
a reoferecer ao mundo
ilhotas habitáveis, garrafas provisórias
por uma vida
por alguns instantes
para quando temos medo
para participar da idéia toda
alimentá-la
somar no real
sem juízo de valor

que nenhum carretel acabe
que mais e mais cores apareçam no mundo

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cetim verde

nesta sala
tudo é coisa
cetins enrolados em seixos
carretéis soltam linhas de algodão
equilibro a precariedade com pregos arbitrários
os novos recipientes de beleza
distraio-me nos reflexos do vidro
puxo
linhas
rendas
prendo
aprendo a habitar os traços no espaço
evidenciar minhas redes
entre o banal e o misterioso
objetos

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linha azul

falo, crio
liberto a linguagem
no meu corpo que cava suas profundezas nos músculos
sentidos e sentimentos quebrados, confusos
meus
do outro
os nós que queremos dar
e aqueles que nos enrolam para que a vida tenha enfim enredo enrolo-me nos outros
que cores?
em mim
águas
em ti ar
esta é a categoria do sujeito
linha azul

mares
mergulhos
mãe de todos
no invisível
antes que eu perceba
nasci
cresci
até aqui

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energia eólica

sopro dentro de garrafas
habitar com vento lugares de expressão
iniciar com o verbo o cerzir de um curativo
tecido

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sobre Leonilson

“…apontam sua criatividade na direção da conquista de seu universo pessoal e afetivo, fora das grandes narrativas ou da eloquencia dos projetos de uma ética civil. Conscientes da finidade de seus gestos, da impossibilidade da linguagem em dar conta ou repor a experiência do corpo, suas obras se armam como uma pele a coletar cicatrizes, num comentário sobre o corpo humano como o lugar para o discurso da identidade, o meio pelo qual são são revelados os (nossos) temores e desejos registrados na carne nos embates com o real. Encontramos em seus trabalhos, maquetes dos espaços emocionais, a idéia do corpo como lugar habitado, como condição existencial que marca os limites da experiência. Mas, ao mesmo tempo, trazem também implícito o caráter social do conceito corpo: em suas obras explicita-se a constatação dele como elemento de prolongamento do social e a sua percepção como núcleo fundador da coletividade. Desta forma, essas produções se inserem para além da memória dos artistas, configurando-se como memória de outras memórias.”
Para meu vizinho de sonhos- Ivo Mesquita

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imaginei que a chuva pararia quando fechasse o semáforo.

eu caminhava com um objetivo vago e inadiável.

tudo o que viesse a acontecer comporia o ritual de quem não sabe o caminho, mas sempre chega.

olhava os pingos acumularem-se nas folhas da  jibóia na garrafa.

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