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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

preparamos o corpo para gritar

desencouraçamos

esfarelamos

nos tornamos flexíveis e fortes

para deixar a vida passar

deixar os ancestrais e forças seguirem

seus milenares embates

em nossos corpos

numa língua confusa

até conseguirmos dançar junto

compor com uma nova onda

outro orixá

 

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energia eólica

eu sopro

dentro da garrafa

uma palavra

que se lê

com calma

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sua mansidão acumulando-se pelas dobras do corpo

excedendo-se em um peso que é aquele do costume.

Engolindo-me em seus sentidos corriqueiros

enfastiando-me já no pensamento

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a poeira é a obra

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de um pássaro

lembro-me que era devagar

cuidadoso por onde pousava

organizando-se para estar

o maior tempo possível

em vôo

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.

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o penteado da peruca

A mulher caminha pela rua levando em um suporte uma peruca. Olha com discrição e curiosidade os cabelos das pessoas, não há nenhum especial, mas todos parecem lhe dar ideias incríveis. Passa do outro lado da rua uma senhora com uma peruca de volume descomunal, os olhos da mulher se arregalam um pouco mais. Entretanto, é óbvio que a percuca que ela carrega jamais comportaria tal penteado. Seu próprio cabelo comporta um certo aspecto desgrenhado, mas ela parece não se importar. Ao chegar no salão de beleza, explica, com certa ansiedade o que deseja. Faz muitos gestos com as mãos e tenta verbalizar estilos que viu na televisão, nos filmes e na rua. Não se pode ouvir nada disso muito bem, mas vemos o cabelereiro assentir constantemente com a cabeça e ao final dizer: “-Vou tentar, senhora”.

Durante a lavagem, o cabelereiro solicita a uma assistente que segure o suporte da peruca para que dê a altura necessária. A assistente realiza seu serviço com um ar de desdém, com uma mão segura a peruca e com o outro segura uma revista aberta, sem, no entanto, parecer ler qualquer coisa. Quando a peruca vai para a térmica, a assistente dá uma movida no ombro, tentando alongar-se um pouco. A peruca ainda passa pelos processos de corte, escovação, secador. Vemos a mulher bater em sequência suas unhas postiças na mesinha ao lado da cadeira onde está sentada aguardando. O cabelereiro, com ar de cumpridor de tarefa, levanta com uma mão a peruca e seu suporte e com a outra um espelho que reflete no espelho maior todos os ângulos de seu trabalho. Leva alguns segundos para o cabelereiro dar se conta que quem deve aprovar é a mulher. Olha então para trás, já menos orgulhoso, e pede com os olhos a concordância da cliente, que com uma alegria quase contida diz “sim” à obra. O cabelereiro prontamente levanta uma lata enorme de laque e fixa a cabeleira. Vemos a mulher partir caminhando mais rápido do que quando chegou…

 

por Gisella Hiche e Maria Fernada Novo

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