junho 26, 2011 por gihiche
O que mais me surpreendeu do furto do carro, ou do “sinistro”, como a seguradora chama o incidente, é como esta trivialidade urbana já está dentro dos protocolos. Para a polícia, a cotidianidade é tal, que posso fazer o boletim de ocorrência pela Internet, no conforto do lar. Os campos a serem preenchidos na página da delegacia eletrônica atendiam às necessidades de descrição de qualquer cidadão. O rapaz do seguro, de nome Afonso, também tinha uma resposta na ponta da língua para todas minhas dúvidas, que eram as mesmas de todos outros cidadãos que tiveram seu carro furtado e nem se abalaram muito, afinal, era para isso que pagavam mensalmente uma cota para não acharem estranho que, de repente, uma máquina enorme sumisse do mapa. Se eu fosse fazer uma sugestão para a seguradora, esta seria a de treinar os atendentes a dizerem “eu sinto muito”, afinal de contas, são eles que denominam um furto como um sinistro. Sinistro absolutamente sob controle, sinistro educado, bem atendido, com procedimentos claros a serem cumpridos. Também os ladrões são bastante profissionais. São silenciosos, ágeis e devem ter destino garantido para cada parte do veículo. Espero que levem as três sacolas de lixo reciclado que estavam no porta-malas para um posto de coleta. Acho que ficaria bem mais chocada se levassem minha bicicleta, que pegarei amanhã no Ceará Bike, onde deixei para fazer uma revisão. Para as bicicletas não há nenhum procedimento, nenhuma educação, nenhuma via para se locomover com segurança.