Feeds:
Posts
Comentários

alongamentos

começo a brotar sem maiores preocupações sobre por onde escorrerei a partir dessa vontade,

que começa lá no pé, nos tendões e sobe rá pido em pontes,

os arcos do corpo, mão e pés no chão, sigo a idéia de esticar-me longamente.

é um exercício de prolongamento do tempo do corpo.

tic tacs

não sei qual é a volta da espiral,

mas sei onde é a pista de ida e a de volta.

reformar

estou em estado de reforma

da lombar

cintura adentro

deixo uns olhos percorrerem, rolarem dentro dos ossos da bacia

estico

deixo meus pensamentos finalizarem

com três pontos-

as reticências

os pós levantados

porque tirou o piso do chão

revelam-se

minhas dobradiças

espreguiçadas em batentes

ai o corpo

casa

em modulações criativas

que parecem não querer se fixar

para garantir

um estudioso movimento

de remadas

poesia

A origem dos nós

alguns nós começam

o emaranhamento

no descuido de

guardar alguns objetos

 

riscados

em linhas de pequenas histórias

que poderiam levar horas

em capítulos específicos

 

mas aceleram-se

 

sem guardar o acontecimento

que

indiferente

 

 

garante a marginalidade

do passado

em rendas

tricôs

Os meios da ordem*

Minha mãe chama um determinado tipo de roupa de “blusa de meia estação” ou “casaquinho de meia estação”.

 

Agora eu aqui me pergunto:

Quando acontece essa meia- estação?

 

Ela é meio- inverno?

Ou meio verão…

 

Será que, quando estamos na meia estação, as coisas, já que são pela metade, são mais leves?

Ou apenas instáveis, buscando um número par.

 

Seja lá como for, eu aqui, arrumando o armário, acredito que a grande questão é:

 

Uma vez que aposto ser esta roupa uma de meia estação, qual será sua gaveta de destino e que outras peças lhe farão companhia?

*ou, “Uma pausa para leitura em tempos de mudanças climáticas”**

 

Dedico as palavras acima a todas pessoas que sempre levam guarda- chuva na bolsa ou nas mãos (muito embora, eu nunca o faça ou até mesmo por isso).

 

Aliás, assim como busco questionar-me sobre o lugar para guardar aquela blusa de meia estação, devo dizer que o guarda- chuva, ainda que com sua função claramente definida já em seu nome, não tem a mesma sorte na hora de ser guardado, quando não está a cumprir seu significado.

 

** ou, “Onde se guarda o guarda- chuva?”

 

Sei que, por hora, o meu, que na verdade foi esquecido por alguém (acho que é de uma amiga da Dalila), está pendurado em meu varal de teto e quem o deixou lá foi o pedreiro.

 

Achei a idéia boa e por hora instituo:

lugar de guarda- chuva é no varal.

 

Instruções aos mitos

1- Essas são as cartas de um misterioso jogo.

2- Deve-se seguir as palavras dentro de um tênue fio brilhante

de um rendeira silenciosa em seu trabalho de girar a roda para tornar linha as fibras.

3- Quem cria mitologias deve buscar incorporar em uma lógica os fragmentos selecionados da vida.

4- Por exemplo, eu ouvi uma conhecida dizer que “o mito é autoritário”. Quando fiz aquela cara de “Hã? Como assim?”, já calculando tal afirmação aplicada aos diversos mitos, ela repetiu a frase e notei que ela apenas dissera que o Milton era autoritário.

5- a mágica é não deixar-se ter forma

6- para que quem acompanhe, tenha tempo de também brincar

7-

atenção ciclistas:

quando a Ariadne anda de bicicleta seus cabelos dão nó

reforma

fita métrica

varal de teto

areia Tarsila

EVA

rede

tapete

tinta para giz

cortina

fotos de céu estrelado

adesivo de céu noturno na parede do tanque

“O símbolo em que se interligam arquetipicamente tempo e espaço é o céu estrelado que, desde os primórdios, tem sido inundado de projeções por parte da humanidade. Nesse contexto, é indiferente se, como no Egito, na Babilônia, na Arábia, na Índia, na China e na América- os céus eram interpretados como ocorria originalmemente, segundo as vinte e oito estações primordiais da lua, ou como mais tarde, segundo as doze estações do sol; também não importa se as projeções predominantes são de animais ou plantas, de rio ou mar.” in: Neumann, “A Grande Mãe”, p.199

tubo de madeira com arroz dentro

grande

máquina dentro do banheiro

sino

como um enigma

a ser desvendado

trocando as frases

reorganizando

lembrando

do cheiro

balançar na rede até esquecer

- Que misteriosa vida era aquela que se apresentava todos os dias retirado o espaço da poesia verde de caule?

processo embaralhado

almofadas coloridas de croche

(a capa da poltrona ficou muito mais vermelha do que o laranja que eu havia escolhido)

idéia acolhedora da cor quente na sala

possibilidades diversas de luzes coloridas

um móbile espiralado

de tecido resistente às garras da tarsila

mulheres rendeiras

Penélope

Ariadne

fundamentar nos mitos

os retalhos de meus tempos

“eu estava apenas a menina da floresta, meio perdida porque nasci aqui nessa cidade. Perdida no meio de árvores que não sei o nome, o nome das ruas. Bem vinda ao tempo e suas dificuldades e delícias.” in: e-mail de Milena Durante

para acreditar nas paredes macias deste labirinto curioso

retorcidos nas cordas de uma futura música aprendida nas cordas de um violão

ondeeuiaeutava eu canto

valso um pouco

é uma graça íntima

e necessária

“creio que nós todos vivemos assim o tempo todo

mobilizando forças

pondo-as em novas danças

procurando detectar o que está mais estagnado em nós”- in: chat com Gustavo São Jorgegustavosaojorge.blogspot.com

de vento dentro do peito

estender lençóis- linguagem

cartografias

mapas como a imaginação do que conhecemos antes de saber o que existe

descrever assim o pensamento pelos caminhos que percorre em vibração mais tranquila que a agulha da bússola

provavelmente mais parecido com um barco de papel lançado ao mar apenas para a curiosidade da gaivota que em seu olhar de voo flagra sobre a mata a trilha percorrida por pés de barro-  eles correm ouvindo o vento entre as folhas

há nessa orquestra da floresta notas vermelhas- fragmentos de uma conversa de beira de estrada no ano de 3029, guardada em vidrinhos de eco que medem o quanto da água do mar virava barulho de chuva, pois naquele tempo conhecer a poesia era o mais importante e devia ter a forma de garrafas, mas transparentes para enxergar através e abertas para qualquer navegante ler a mensagem inaugurada quando esta caneta resolveu desenhar a invenção de brincar, enquanto se vai rumo ao desconhecido, separado de nós apenas para ser possível termos pele escama pêlos casacos e o sapatos de um corredor que agora vai nu para as festas na praia para Iemanjá que acabara de  receber os pergaminhos com as fotos do outro lado do mundo que pareciam, embora apagadas, vestígios ou acontecimentos menos etéreos que a memória onde descansam as tentativas de mapear o que é para ser livre e piscar para os astros porque pode ser que suas órbitas formem um traçadoparecio com as asas da libélula que faz fronteira com o vento de lá

quero dizer

de cá

quase no limite

mas aqui todo lugar

onde se pode dar as mãos e embaralhar a rosa dos ventos que deixa brotar outra rosa essa do sopro da Islândia onde o programa de rádio mais popular toca os cantos da baleia e o barulho das rodas de bicicleta que giraram certeiros sobre o asfaltos de muitas léguas e encontraram o caminho deum mapa que foi usado primeiro como tapete, depois como cortina e agora foi reproduzido em uma versão preto e branco pois naquele fundo de céu a única informação complexa era o registro das linhas que ligavam os rios até a porta das casas e os pescadores a seguiam enrolando-as em um novelo a ser entregue no território manchado de tinta guache o que encobria todas as escalas tornando a empreitada guiada principalmente pelo ressoar dos tambores de lá que na última estação foram subtituídos por códigos binários mpressos no cascos de tartarugas tão lentas que só alcançavam o continente de destino porque eram ajudadas pela moça que virava cada página bem rápido os sonhos de como era o mapa eram muito divertidos e comportavam na esfera celeste naves espaciais com design típico dos anos 70 o que implicavam serem também laranja entretanto nas molduras da luidez e dos olhos abertos, os crtógrafos tinham mais responsabildade para evitar desenhar o litoral onde um casal sentava na frequencia da ocasião para beber chimarrão enquanto  o mar insistia em ser evidente demais para ser falado

Por quê coletivo?

Foi depois do trabalho. Apressada Augusta abaixo. Entrei na Ação Educativa.

Conversa vai

Conversa vem

Chega a Van e eu já me sinto mais EIA. Depoi chegou a Mitsue- EBAAA

Começa o debate. Rodrigo e Celso Gitahy são os mediadores. O Rodrigo faz perguntas e colocações mais genéricas e o Celso cutuca nos pontos onde os coletivos divergem, como formas de finaciamento.

- Vamos fazer a roda, eu sugeri.

Vimos o vídeo do 5 zonas- coletivo de grafite da Cidade Tiradentes, formado por cinco pessoas, desde 2007. Foram selecionados por alguns editais públicos, inclusive da Prefeitura de Diadema, o que garante que eles não apenas usem a verba para finaciar o próprio trabalho, como também para garantir a renda pessoal e ainda grafitar outros muros (além dos previstos nos projetos do edital) com a sobra das tintas. Parte do grupo (ou todos?) vivem exclusivamente da renda dos projetos de grafite. Eles avaliam que a moda de grafiti pela cidade é super importante para garantir que o grupo seja respeitado, depois de todo um histórico de rejeição. A visão deles sobre com quem fazer parceria, de quem aceitar $ está bastante ligada ao fato de eles pagarem as próprias contas com a verba desses projetos. Eles enfatizaram que estão fazendo um serviço público e que também topam ser remunerados para fazer fachadas e estabelecimentos comerciais. Um dos trabalhos do 5 zonas é sair por diversos bairros da cidade perguntando aos moradores como eles transformariam o bairro. A partir dos depoimentos, montam um grafite unindo o estilo de todos (o “sexto estilo”, eles diriam). São todos evangélicos. Em caso de dúvidas, eles colocam o tema “diante de Deus”. Um tem três filhos, outro tem seis…

Depois, cada coletivo fez um depoimento de 10 minutos.

Em termos de organização e “rizomicidade”, somos mais parecidos com o Imargem. Eles apostam na “revolução que parte das margens”. Todos têm outro “corre” para pagar as contas. Mas enfim, o Imargem nós já conhecemos. O que vale relatar é que de fato Tim e Mauro têm muita noção do que representa criar no sul da zona sul, de que lá há outra temporalidade, que, por sua vez, leva a outra percepção de como agir. o Tim diz que tem pensado no EIA para ajudá-los com a história dos despejos lá no Grajaú. Eles já estão com um bom apoio por parte da Defensoria Pública, mas parece que a população está desinformada em relação a seus direitos. Ele ficou de mandar uma convocação pela lista.

O Celso, mediador, nos disse que poderíamos formar um coletivo dos coletivo para organizar uma publicação e que a Ação Educativa poderia nos ajudar com o projeto. mas eu sei que eles não têm grana. Mas enfim, foi uma coisa meio solta. Depois eu fui falar com ele para dizer que estamos na fase sistematização e o projeto nos interessa.

É isso pessoal, um relato sem entrar nos pormenores. O debate tinha umas 20 e poucas pessoas e foi bem acalorado.

Postagens Antigas »